Um pequeno inseto que transmite uma grande doença Parte 1 (Visão geral)

SAÚDE & PROTEÇÃO

19 Jul, 2022

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

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O que é a leishmaniose?

A doença denominada leishmaniose é um grupo de infeções que se encontram em muitas áreas do mundo. Estas doenças são causadas por um parasita muito pequeno que tem o nome científico de Leishmania. Estes pequenos parasitas são transmitidos aos cães através da picada de um pequeno inseto que se alimenta de sangue, conhecido como flebótomo, e que existe na maioria dos continentes. Na Europa este inseto tem o nome científico de Phlebotomus enquanto que no continente americano tem o nome científico de Lutzomyia.

leishmaniose

Onde é mais provável encontrar a doença?

A infeção de cães com parasitas Leishmania foi registada pela primeira vez na Tunísia em 1908 e atualmente sabe-se que existe em 50 dos 92 países onde também se observou que as pessoas estão em risco de contrair a infeção. Estes países estão localizados no Sul da Europa, em África, no Médio Oriente, no Extremo Oriente e na América Central e do Sul. Atualmente, estima-se que existam 15 milhões de cães infetados em todo o mundo e mais de 2,5 milhões de cães com sinais clínicos desta doença.

O nome científico completo do parasita é Leishmania infantum (também denominado Leishmania chagasi) e é o protozoário mais comum que causa doença nos cães, com um elevado nível de infeção especialmente na Bacia Mediterrânica e no Brasil. Os parasitas Leishmania podem afetar várias espécies animais, incluindo parentes selvagens do cão (a raposa, o lobo e o chacal) e uma longa lista que inclui gatos, animais de produção, cavalos, roedores, coelhos, etc.

A leishmaniose canina, a doença causada pelo parasita Leishmania, representa um risco maior quando as condições climáticas são favoráveis à picada dos flebótomos. Estes insetos estão ativos após o pôr-do-sol e durante as primeiras horas da noite, desde que a temperatura não seja inferior a 17-18 ºC ou exceda 40 ºC e não esteja a chover nem haja vento. Se a temperatura for inferior a 10 ºC, o desenvolvimento dos flebótomos é muito lento e as temperaturas de congelação matam os flebótomos.

A leishmaniose nos cães está a propagar-se para novas áreas, porque o aquecimento climático proporciona novos locais onde o flebótomo pode sobreviver. Adicionalmente, a deslocação de animais e de pessoas está a ajudar a propagar a doença. Na Europa, foram diagnosticados muitos casos importados de leishmaniose canina em países nos quais se pensava não existir a doença e é possível que os cães fossem provenientes de áreas afetadas.


Como é que um cão é infetado?

Apenas os flebótomos podem transmitir leishmaniose. Existem aproximadamente 600 espécies conhecidas de flebótomos e, pelo menos, 70 destas espécies podem transmitir a leishmaniose. Os flebótomos encontram-se principalmente em áreas tropicais, mas não foram observados na Austrália, na Nova Zelândia, nas Ilhas do Pacífico nem na Antártida.

Os flebótomos têm um ciclo de vida sazonal com um pico de atividade na primavera-verão em áreas mais frescas ou durante todo o ano em regiões tropicais, como por exemplo no Brasil. Estes insetos podem sobreviver ao inverno em hipobiose em climas mais frios e podem viver tão a norte ou sul como em latitudes 50º N e 40º S.

Os flebótomos fêmea adultos alimentam-se do sangue de mamíferos e de aves e irão picar o animal mais acessível. No entanto, os insetos preferem os cães às outras espécies, incluindo os seres humanos. Os flebótomos têm um voo curto e silencioso característico, caracterizado por pequenos saltos em zig-zag (100-200 metros). Podem deslocar-se até 2-3 km e isto aumenta a sua capacidade de propagar a leishmaniose. Os insetos podem entrar nas casas para se alimentarem e foram encontrados em alturas de até um 4º andar.

Existem outras formas de propagação da doença além das picadas dos flebótomos:

  • Transmissão vertical: os cachorros que se desenvolvem no útero de uma cadela infetada podem ser infetados
  • Transmissão sexual entre cães no momento da procriação
  • Transfusão de sangue entre cães

Quais os comportamentos que colocam um cão em risco de contrair a doença?

Existem vários fatores predisponentes que podem afetar o risco de um cão contrair a doença, incluindo a idade, o sexo, a raça, a atividade, a predisposição genética, um estado imunocomprometido e o seu habitat. O fator mais importante para determinar a probabilidade de ser picado por um flebótomo é a quantidade de tempo que um cão passa no exterior.

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Por conseguinte, o estilo de vida de um cão tem impacto no risco de contrair esta infeção. Os cães de guarda e/ou de trabalho (por exemplo, cães polícia) apresentam o maior risco devido à sua maior exposição aos flebótomos durante o tempo em que estão no exterior. Os cães muito jovens e velhos podem apresentar um risco maior de contrair a doença devido ao fato de terem sistemas imunitários mais fracos.

A leishmaniose canina é uma doença transmitida por vetores e, por conseguinte, os cães não transmitirão a doença aos tutores. Se um cão tiver contraído esta infeção localmente, isto indica a existência de flebótomos infetados na área e realça a importância de fornecer proteção contra os flebótomos a todos os cães da residência e a outros que vivam na mesma área.

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